Quarta-feira, Novembro 18, 2009

8 meses

Da na-na, na na na
Da na-na, na na na
Da na-na, na Pimpolho
Da na-na, na na naaa


Talvez por saber que a mãe anda tão atarefada o Príncipe faz o favor de escolher datas particulares para apresentar as habilidades. Assim, se os primeiros dentes nasceram no dia de Santos, as primeiras silabas ditas com ar absolutamente convicto surgem na véspera de fazer 8 mesitos.

Da, na, lha — ou qualquer coisa semelhante conforme calha a estar a língua — permitiu ontem estabelecer as mais variadas conversas tanto porque sim como porque não, conforme a entoação.
Mas o seu grande objectivo é chegar ao la. O que ele gosta de nos ver de língua dobrada! E insiste em torcer a sua, sem som, à experiência.
Lá chegará. O pai diz já ter ouvido um "olá" (olha, talvez) mas eu acho que está a ver o Principe num castelo de nuvens.

Para já, tenho um dia para o ensinar a cantar os Parabéns...

Terça-feira, Novembro 17, 2009

Ser mãe III

É lembrar que ele vai fazer mais um mês e esquecer que vou fazer mais um ano.

Segunda-feira, Novembro 16, 2009

O Pimpolho é muito à frente

"Dentro de uma geração poder-se-ão casar dois filhos únicos cujo filho nunca saberá o que é ter primos", ou qualquer coisa semelhante dizia ontem a jornalista da tvi numa reportagem sobre o decréscimo da natalidade no ano transacto.

- Anda cá ouvir isto - gritei para o pai - "Dentro de uma geração", dizem eles...
- Ena! O rapaz veio do futuro!

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Breves notas para a senhora jornalista:
1 - não é preciso ter primos em primeiro grau para se saber o que é ter primos;
2 - pode-se ter primos em primeiro grau e continuar a não saber o que é ter primos;
3 - haja amigos que não se dará por falta dos primos.

Quinta-feira, Novembro 12, 2009

Novo sentido I

Quando me diziam que um filho nos faz ver as coisas com um sentido diferente nunca pensei que fosse para levar tão à letra.

De repente o que era só uma cantiguinha para o animar - um tanto machista se virmos por esse prisma - revela ser a perfeita descrição de... bem, é melhor não entrar em detalhes que este blog é público. Eu é que devo estar a ficar doida de tanto trabalho.

Doidas, doidas, andam as galinhas
Para pôr o ovo lá no buraquinho
Raspam, raspam, raspam
P’ra alisar a terra
Picam, picam, picam
Para fazer o ninho

Arrebita a crista o galo vaidoso
Có-có-ró-có-có
Canta refilão
E todo emproado com ar majestoso
É o comandante deste batalhão.

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

Cabeças quentes e soro fisiológico



A alegria que veio com os dois dentinhos a espreitar não durou o tempo de escrever um post em condições para a posteridade, logo veio mais uma febre aquecer a cabeça de toda a gente.

É impressionante como uma pequena febre pode aquecer tanta cabeça!
A do Pimpolho foi a primeira a arrefecer, na terça-feira já estava fresco e assim se manteve toda a semana enquanto as restantes cabeças escaldavam. É que para que tal cabecita não voltasse a aquecer ficou uma semana entre o aconchego do lar e o martírio da ginástica respiratória, e aí é que começaram a aquecer as restantes cabeças. O Pimpolho tem pontaria: ou adoece quando a médica está de férias ou quando chovem reuniões em cima dos pais...

Aquece a cabeça da mãe em vésperas de início de obra. Aquece a cabeça do pai com reuniões para preparar. Aquece a cabeça do chefe que a arquitecta não está no atelier, arde a cabeça do pai que a mãe não está em casa e flameja a cabeça da arquitecta e da mãe, que é só uma, por isso aquece a duplicar.

O Pimpolho brinca de cabeça fresca enquanto o pai e a mãe se revezam numa espécie de corrida de estafeta em que o testemunho não sai do lugar.
O Pimpolho chora quando lhe aspiram as entranhas, quando o soro fisiológico entra por uma narina e sai pela outra, quando o esperemem nessa ginástica respiratória que de ginástica não tem nada.
Ginástica faz a mãe a correr de um lado para o outro porque pode deixar o filho a brincar, mas a chorar não deixa que arquitectas há muitas, mas mãe há só uma.

Finalmente, o Pimpolho voltou hoje à creche.
Foi com a cabeça bem agasalhada para não voltar a aquecer.
Estamos todos a respirar melhor.

Domingo, Novembro 01, 2009

todos os santos e dois dentes




Quando o Halloween se propaga a olhos vistos com o respectivo merchandising não é difícl perceber uma das razões porque se vão perdendo os Santinhos.
Eu ainda fui pedir os Santinhos uma vez ou outra, estava frio. E se hoje, com menos 25 anos, me pedissem para escolher entre pegar numa cestinha da mãe ou no saco do pão da avó, entretanto já bisavó, ou numa abóbora de cetim como a que acabei de ver na televisão e nem sabia que existia...hesitava. Escolher entre bolachas maria, broas que se desfaziam no fundo do saco e nozes ou castanhas recolhidas antes de ir almoçar à avó, entretanto bisavó, ou ter 7 anos e ir antes às compras escolher umas fatiotas engraçadas e pintar-me e imagino o que devem receber agora, não é fácil. Custa manter as tradições cristãs quando as celtas vêem tão bem embrulhadas.

O menu do almoço em casa da minha avó fazia, no entanto, o meu dia gastronómico preferido e difícilmente o trocaria por alguma coisa. Insisto.
Haveria e ainda há muitas coisas de que gosto mais do que de entrecosto frito com migas, papas e broas de milho. Mas a sequência é imbatível. Nada mais faz sentir, sobre o estômago confortado pelas migas humedecidas na fritura do entrecosto, a boca doce do mel com sabor a erva-doce.

Ainda não foi este o ano em que revaivámos a memória de bons costumes. Estas coisas são exigentes, não vêm em nenhuma caixa da secção de congelados; haja respeito.
Só tinha uma vaga ideia de como fazer as papas. Não correu bem, voltaremos a tentar.
Há que aprender a organizar a tradição para a podermos transmitir à geração vindoura.

Estão já dois dentinhos à espera destas e outras iguarias.
Chegaram hoje.

Outono



Depois de um Sábado Verão feito da manhã das panquecas mais doces e da noite num pátio alfacinha, o Domingo trouxe o Outono.

Penso ter escrito em tempos que o Outono era a minha estação preferida, no tempo das estações preferidas penso ter escrito qualquer coisa sobre as folhas a cair.

É Domingo. O Domingo depois do Sábado-Verão.
As folhas caem a olhos vistos sobre as escadinhas enquanto as núvens enchem o céu de cinzento.


Não fosse a casca de banana caída onde não há bananeiras e passarem a ser os fenómenos atmosféricos a comandar a lavagem da roupa e seria perfeito.

Sábado, Outubro 31, 2009

visão egocêntrica de ser mãe

Gosto de passear com o meu filho ao colo. De desfilar com ele pela rua. Faz-me sentir mais bonita, mais importante.